Pessoal, Twitter is dying

Twitter is dying. É triste, foram muitos anos de dedicação a um serviço. Da comunidade (onde me incluo) e das equipas de design, gestão, projecto, engenharia e muito mais. Uma perda irreparável e totalmente desnecessária.

Abre uma conta no Mastodon para manteres contacto com a tua comunidade que está no Twitter, e que se vai dissolver. A migração já começou e não vai parar. Melhor ainda, recolhe os emails das pessoas que te são queridas. Nenhuma organização pode ser dona do teu gráfico social se este for um simples ficheiro de texto.

Ilustração de Elena Lacey, emprestada da Wired. O senhor de costas pode ser o Elon, não sabemos.

O Twitter está a definhar, lentamente mas de forma clara. Vão passar muitos meses até o Elon Musk conseguir ter uma plataforma estável, se é que vai acontecer. Eu tenho sérias dúvidas, os cortes de pessoal, sumários e por vezes em público (há uma estimativa não oficial que diz que 80% dos engenheiros responsáveis pela fiabilidade e estabilidade do sistema foram despedidos) e o ambiente de trabalho de sweatshop que quer impingir às suas equipas dificilmente vão colar. O pessoal do tech não está para isso (e ainda bem), há demasiado mundo para além do Twitter.

Mesmo que o Musk consiga uma plataforma estável no futuro vai ser um sítio radicalmente diferente do que foi até agora. Vai ser uma espécie de Truth Social (rede social criada pelo e para o Trump), cujo imperador será o Elon, e não o Donald (se bem que se prevê o regresso do homem que incitou um golpe de estado violento e ignorante nos states). Palavras do próprio, homem mais rico do mundo; “a wild wild west”. Civilização, diálogo enriquecedor e moderação serão obliterados por trolls e haters, um $8chan, como alguém batizou. Ninguém são da tola vai querer parar por lá.

Mas um Twitter faz falta ao mundo. Uma rede onde se possam partilhar ideias e recursos livremente, de forma aberta e acessível.

Uma ágora online para se exercer cidadania

Neste momento a plataforma que mais se aproxima deste ideal, e que tem surgido sempre como alternativa é o Mastodon. Eu tenho andado a usar, já tenho conta desde 2018. As funcionalidades são parecidas com o Twitter (dá para editar ‘twoots’!), mas há escolhas de design pensadas para tornar a plataforma mais imune a hate e assédio. O modelo federado ajuda. Ao contrário do Twitter e outras redes / plataformas, que são centralizadas numa empresa / entidade, o Mastodon é open source e corre em inúmeras estâncias (servidores). Funciona em rede, distribuído. Estas estâncias são financiadas pelos utilizadores das mesmas, e mesmo que alguma vá abaixo (o que é improvável no caso das mais importantes, como a mastodon.social), o sistema continua a funcionar.

A validação dos perfis na rede é feita através do site oficial dessa entidade / pessoa; se nesse site oficial houver um link para o perfil Mastodon, e no link diga “sou eu” (rel=”me”, seguindo o protocolo XFN, H/T ao André), a validação acontece automaticamente. Não é à prova de bala, mas é uma solução melhor do que comprar uma validação a $8 (qualquer solução é melhor, na verdade).

Um pedaço de código do site deste humilde escrivão, com um link rel=”me” para a sua conta no Mastodon

Ao criares uma conta nova vão-te perguntar a que servidor te queres juntar. Explora à vontade, mas uma escolha segura se estiveres indecis@, é o mastodon.social. Ainda que no início o interface do Mastodon possa ser complicado, segue algumas pessoas e partilha algumas coisas e vais ver que rapidamente ficas à vontade no sistema. Podes sempre perguntar, a comunidade é hospitaleira! E tens também várias aplicações mobile, a oficial e outras. Mais uma vez, brinca e depois escolhe. Muda de ideias, escolhe de novo.

Sugestão e conclusão

Para não perderes followers no Twitter, cria uma conta no Mastodon e valida-a seguindo o método acima (se não tiveres site pessoal, bora falar!). A comunidade portuguesa no Mastodon já é grandota, e com tendência a crescer.

Ah, e trata bem o teu próximo nessas novas ágoras digitais. Não digas nada que não lhe dissesses olhos nos olhos, na vida real (IRL).

Outros artigos (EN) bem escritos sobre o momento que vive o Twitter

Leave a Reply

  • (will not be published)

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>