A internet do futuro tem 25 anos

Este artigo foi publicado originalmente na newsletter semanal do Fumaça, e pode ser econtrado no site do podcast de jornalismo independente. No contexto deste site expandio-o com mais algumas ideias.

Olá.

Abstrai-te por momentos das interrupções quotidianas e imagina que abres o teu computador ou pegas no teu telemóvel para ler. Para o fazer tens uma aplicação dedicada. Os artigos todos que te interessam — provenientes de diferentes fontes online correspondentes aos teus interesses — estão nessa interface. De cada artigo, vês apenas o título, uma imagem, e um resumo. Não há anúncios, nem pop-ups, nem aviso de “bolachas” 🍪. Consegues facilmente perceber o que já leste e o que há de novo. A qualquer altura podes acrescentar novas fontes de conteúdo, eliminar aquelas que afinal já não te interessam, e reorganizar tudo, não tanto por tema, mas de acordo com o que te chega mais ao coração. Podes concentrar-te nas palavras, nas ideias, e ver tudo ao teu ritmo. 

Confortável, não é?

A tecnologia que te permite ter esta experiência focada de leitura existe há 25 anos, está bem de saúde — faz parte da ideia abrangente da open web — e pode ser usada de forma livre e gratuita. Apresento-te o RSS.

Os artigos de diferentes websites aparecem num só sítio, prontos para serem lidos, graças à tecnologia RSS. O leitor RSS desta imagem é o Feedly.
Os artigos de diferentes websites aparecem num só sítio, prontos para serem lidos, graças à tecnologia RSS. O leitor RSS desta imagem é o Feedly.

Talvez não saibas, mas quando ouves o podcast do Fumaça estás a interagir com um feed RSS, uma lista longa que vive na tua aplicação de podcasts ao lado dos teus outros favoritos. Podes subscrever podcasts, descarregar episódios, começar a ouvir, parar, e retomar a qualquer altura. É assim que a maioria das pessoas nos ouve, em aplicações como Spotify, Apple Podcasts ou Google Podcasts. Da mesma forma, podes ter os feeds RSS das tuas fontes favoritas numa só aplicação (vamos chamar-lhe leitor) de RSS onde te aparecem os artigos assim que são publicados, sem interferência de algoritmos. A partir daí, é só escolheres o que queres ler e quando queres ler. Com toda a paz e sem distrações.

Para começares, experimenta estes leitores de RSS: macOS, Windows, Linux, Android, iOS. Abundam opções, escolhe a que te parece mais útil. Eu gosto do Feedly por correr em múltiplas plataformas, mas a versão grátis é um pouco limitada.

Depois, podes subscrever um feed, ou seja, adicioná-lo ao teu leitor, copiando o link RSS que uma dada fonte disponibiliza. Por exemplo, os artigos novos que publicamos no site do Fumaça aparecem neste link: https://fumaca.pt/feed. Basta copiares este link para o teu leitor de RSS favorito, para adicionares o conteúdo do Fumaça à tua lista. Procura este ícone nos sites que gostas de acompanhar e vai subscrevendo. Se quiseres sugestões, deixo-te aqui alguns feeds para subscreveres: uma seleção minha de órgãos de comunicação social que fazem jornalismo lento, para veres com calma; o do jornal Público, para acompanhares a atualidade; o do Gerador, para leres sobre cultura e educação; e o do blogue Ladrões de Bicicletas para leres artigos de opinião. Aqui tens outros webizens cujos sites têm feeds RSS.

Também podes criar o teu próprio conteúdo, decidir como e onde publicar, e partilhar com o mundo o teu próprio feed RSS, para que as pessoas possam ler tudo o que escreves. A plataforma WordPress, muito usada para criar e gerir sites no mundo todo, incluindo o do Fumaça, dá-te um feed das tuas publicações de graça. Basta adicionar “/feed” ao URL.

Apesar dos 25 anos, o RSS acaba por trazer sempre novidades. Como se trata de um formato aberto e standard, permite a construção de soluções criativas. Dá uma olhada no Feedle, um motor de pesquisa que procura apenas em sites que têm feeds RSS.

E, se um dia te fartares da aplicação que usas para reunir os teus conteúdos favoritos e quiseres explorar outra, basta exportares a tua lista e abrir nesse novo leitor. Chama-se a isto “portabilidade”, mas também se poderia chamar “liberdade”.

Outros serviços que se inscrevem na filosofia da open web integram de forma transparente o standard RSS. Por exemplo, o Mastodon (que usa tecnologia ActivityPub) permite seguir o que posta qualquer perfil via um feed RSS. Para obter este link RSS basta acrescentar “.rss” no fim de qualquer URL de um user. Exemplo:

https://mastodon.social/@john_fisherman.rss

No Fumaça, acreditamos que a informação deve ser livre, acessível e gratuita. Se não quiseres depender de algoritmos que escolham por ti, teres o teu próprio leitor de RSS feed pode ser uma boa solução.

Até já, e boas leituras.

Fred

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